domingo, 18 de maio de 2014

Enganos

A dor se manifesta, mas não se imprime
Em tonalidade de lamentos, ou se lança
Ao calor dos beijos que passado refuta
Ou aos murmúrios cálidos de um amor
Que muitos sabem, desabou fracassado

Dores não se alardeiam ou partilham
São solitudes pactuando penitencias
Ao silêncio das paredes dum quarto
Repleto de roupas, livros, cobertores
Cúmplices mudos à ordem dos fatos

Assim é a dor; um eterno desafio a autoestima
Privilegiado aquele que por ela se sentir tocado
Pois paulatinamente sem notar, os insensíveis
Amargam-se abandonados como um cão vadio
Refém da rudeza duma vida onde não há afago

Logo, dor maior é aquela que nos trancafia na redoma das inverdades
Nas mentiras ditas por nós aos nossos olhos encharcados de poeiras
A vislumbrar ansiedades que persistem, mas recusam o arfar do peito
Na farsa consentida pelo coração que ao tempo transformou cúmplice
O pulsar cruel e disrítmico diante a fragilidade nostálgica das emoções


Copirraiti17Mai2014
Véio China©

sábado, 8 de março de 2014

Frágil




Há algo que no dentro de mim conspira
Um exército de mesquinhez e malfeitores
Alardeando que por hora não se inspira
Nos contos de fadas ou eternos amores

Há algo além, vago, à caminho do cerne
Que se ajoelha diante da batalha perdida
E ao corte da navalha que expõe a carne
Do reinado de um rei devastado em vida

Há algo frágil, e do meio pros cantos
Faminto de rubro vinho embrutecido
E da embriagada luxúria dos prantos
Dum Eu posto em taça, desconhecido

Copirraiti08Mar2014
Véio China©

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Amour & Amour (Contradições)

Talvez seja-me desafiador falar dos amores
Pois busco na amplitude do Id melancólico
A lírica textura dum poeta oculto nas frases
A justificar as frivolidades do seu sentimento

O poeta é um mentiroso, é a lágrima seca
É o olhar  dissimulados a dizer que chora
São covardias que  farsa poética disseca
Sem  traduzir dos olhos o tom que  ama


O poeta fará da alegria e tristeza o poema, morfologia
Cultas frases lapidadas à mercê de sorrisos e lamentos
Então saiba; Olhos são mais fiéis que a sensível poesia
Pois as letras não ordenam  lealdades nos sentimentos

E esse é o motivo de ser-me difícil escrever o amor
Mas se te aprazas o mel sorvido no relacionamento
Eu o te darei, pois sou as tantas infinidades do ator
Dantes ouças  meu coração e decifres o batimento

Já que poesia alguma irá confessar o quanto ama
Assim como revelado nos tons da minha pulsação

Copirraiti17Fev2014
Véio China©
SCS


domingo, 16 de fevereiro de 2014

COLORS



Todos se amotinaram, relataram
A raiz, o cubo, e a dura verdade
Tons turvos que no ar evaporam
As cenas isentas de simplicidade

São dedos que apontam o que restou
É a solidão alcoolizada nas metáforas
São as nostalgias  que o vento exalou
Pássaro em riste sem  voo de alforria

Foram  ilusões  impondo o dolo e a crença
Pruma  sobrevida  de sensores emperrados
Um doce gosto de engano na boca criança
A farsa das traições nos olhos apaixonados

Sim, todos foram nos legando coisas extraídas
Numa existência que só agora as dívidas cobra
Nestas cicatrizes que hoje relembram  histórias
De mim, o tolo expulsando amores cova afora

Assim, jamais haverá o porquê de me queixar
Das  tonalidades dos olhos que  me quiseram
Todos estiveram ao meu alcance, aquém mar
Olhares nus, incautos, e que  tudo expuseram

Entretanto, não permiti o decifrar das matizes

Copirraiti02Fev2014
Véio China©

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Aos pedaços

Preciso repartir-me que nem elos
Engrenagens de aço na corrente
Articulando à direita, à esquerda
Fazendo parte do encaixe perfeito

É preciso doar-me, ser gomo
De laranja, da fruta do conde
Ser degustado nos paladares
Que me consumam vísceras

Essencial é ser a fera em natureza
Leão, tigre, no negrura da pantera
A ocultar-se em evidentes fatores
Que rujam cantigas da possessão

Crucial me é voltar à vida dos velhos sentimentos
À tensa ansiedade e aos suores na palma da mão
Que um dia me fizeram acreditar que houve amor
Naqueles olhos que sorriam ante inequívoca paixão

Copirraiti26Jan2014
Véio China©.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Esencia


Com quais os olhos
Queres que te decifre?
Desejas expor-me o olhar do começo
Inflamando ternura, bradando amores
Ou aquele que viceja as tempestades
Trovejando libido ou ardendo paixão?

Afinal, quais são teus olhos agora?
Eles estão arrefecidos no espírito?
Penso - Talvez tenhas te dobrado ao tempo
Como ciclos amainados em brisas de verão
Fatos que beatos em castas razões clamam
Por credos santos num tribunal de redenção

Digas...
Eu aguardo
Não me toca a  pressa!

..............

Então...
Calas, nada dizes?
Pois que diga eu!

Não, não és e jamais serás santa
Pois o olhar que por ora me fita
É o dos olhos que de ti conheço
E há tempestades, raios e trovão
A fome necessária ao teu instinto
Entocado esturrando devassidão

Mas...Não, não abdiques do teu olhar
E mesmo que tentes ser um camaleão
Assim como o foi ao início e será no fim
Entendo ser presa e por ti serei vitimado
Pois não há as asas da paz em teu olhar
Pero, sólo los ojos de las tantas onzas

Copirraiti14Jan2014
Véio China©

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ENIGMA

É NA COR DO
TEMPO

QUE ME DECIFRA O
VENTO

E ELE ESCORRE
DENSO

AO ME ESVAECER
LENTO.

LENTO..
LENTO...

Copirraiti06Jan2014
Véio China©

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

ALFORRIA


Em algum ponto
Deste lugar
Algo não foi dito
Talvez nem sentido

Entretanto, houve nas metáforas
Deste espaço tênue
Divisor de realidades e fantasias
Coisas por mim, jamais avocadas

Ora! por mais que não queira
Tocarão músicas dentro de mim
Sons difusos, porém sucumbidos
Aos seus tantos dotes de reprovação

Chega!

Portanto, chega!
Pois desprezei demais a loucura
Ao me parecer insano lhe afrontar
E amanha, mesmo que motivo haja
Não será você a cruz a me imolar

Cristo... ao que saiba
Foi apenas um

Copirraiti26Dez2013
Véio China©

domingo, 22 de dezembro de 2013

Naufrágio

Estive em teus olhos castanhos

Ali onde brotam as lágrimas
E me vi num olhar tão bonito
Desaguando dores tão vastas

Enquanto eu

Inexoravelmente imune
Naufragado de tuas feridas castas
Não me afoguei

Copirraiti20Dez2013
Véio China©

Matizes

Desafia o decifrar do amor
Seria o amor, púrpuro
Um tom não contumaz?
Alipas, não poderia ser
Branco
Negro
Azul...
Ou tanto faz?

E se ele fosse lilás?
Cor andrógena
De amalgamadas matizes
Entretanto...
E se vermelho o amor for?
Sim, possibilidade da razão
Carmim, a gradação ardente
A cor dos gemidos e prazeres

Ah... o amor!
Por mais que me atrevo a pintá-lo
Sei que nele não haverá cor
E se num tempo houver
Será o tom que a ele se propor
E ele se ostentará nos olhares
Nas madrugadas, crimes e castigos
A se enfileirar na carreira de dentes afiados

Noutras,
Será apenas o decantar da poesia menina
Dessas, contraditórias e de sorriso pueril
A vingar num amor que perdurará instantes
Ao reviver das calmarias e nos mil repentes
Dos olhos ardentes e das nuances calientes
Assim como presas mortais  duma serpente
Ao se imolar, abatida pelo guizo do tempo

Enfim..

Amar é o dom de se manter feliz
É o esmaecer no receio dos medos
Que os carregamos também
É a água das chuvas densas
Que molham, molham e molham
E me encharcam.
De cores que, me tingindo
Diluem-me em aquarelas

Copirraiti07Dez2013
Véio China©

A Palavra

A palavra
É arma
Branca, negra
É caleidoscópio
De todas as cores

A palavra
É grosso calibre
É o fuzil da alma
Um tambor que gira
Roleta que pode matar

Enfim...A palavra
Ecoa, aglutina, dispersa
E consente vida às revoluções
Que se amotinam desafiadoras
Na turbulência equidistante do você

Copirraiti23Nov2013
Véio China©

domingo, 28 de julho de 2013

Galho Seco


Eu gostava daquele pássaro de feição assustada
Aprisionado como um bandido dentro de mim
Refém das minhas ansiedades e sentimentos
Que jamais notaram que o amor pode sufocar

Foi um tempo de álibis e cegas esperanças
Ludibriando meus incontáveis devaneios
Que mimavam um pássaro meigo e confuso
Forçado a deixar a vida menos insuportável

Contudo para tanto peso era mais que justo
Que o pássaro reivindicasse o seu espaço
Portanto abri as portas e fiz-me sentir dor
Nas estacas do abandono que me cravavam

E foi assim por transversos discernimentos
Que o pássaro num canto triste se libertou
E voou o mais alto e o tão longe que pôde
E navegou todas as decisões dos seus pares

Sobrevoando os céus dum mundo
Sobriamente cinza e tão somente seu
Pois em seus vôos quase não há cores
Mas sim tempestades por onde pouse

Sim, sei que tudo permanece no passado
Assim como sei que em tempo presente
Haverá desenganos de sua sensibilidade
Que se amputa à doce nostalgia do olhar

Olhar que não me nega as verdades que conheço
Pois quando vaza sua saudade transborda também
A necessidade de rever e se amparar nessa árvore
Que agora se despe das contradições e lamentos

E deste jeito a vida segue, a dele e a minha
Numa fria realidade que desaponta dedos
Não há tristezas e tudo está como deve ser
Afinal a dor dói tanto que desiste de doer

Infelizmente nada fere a árvore que me tornei
Não tenho raiz e nem o viço das antigas ramas
Sou apenas caule tombado que não mais seiva
E nem ressuscita no vento das quatro estações

Hoje quem vê o abandono dessa árvore
Orvalhada na opaca crueza do cimento
Percebe nela a indiferença ressequida
Onde não há sensação do frio ou calor

Pois o que resta é angústia, é secura de vida
Melancolia inerte fustigando os galhos secos
Definhados na languidez dum corpo-tronco
Até que a sábia natureza, encolerizada...

... os assopre como se fossem pó

Copirraiti15Jul2013
Véio China©

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Rabo-de-Galo (Para Bento Calaça)


O Rabo-de-Galo ( Para Bento Calaça)

O homem das Alagoas veio a São Paulo
Degustou churrasco e frango à passarinho
Distante de suas iguarias indígenas e africanas
Culinárias típicas afeitas ao seu paladar do dia a dia
Como a tapioca, cuscuz de milho, massa de bolo puba

Sorriu para todos, sentado à mesa com os amigos de Bar
Comeu galeto magro, arroz farofa e pão com vinagrete
E não reclamou a falta do seu maçunim, fritada de siri,
O sururu e a peixada com pirão e molho apimentando
Generosamente regados ao melhor leite de coco da terra

Não lhe deram sobremesas, nem arroz doce, inhame
A macaxeira com a carne de sol, o beiju,
Grude de goma, pé de moleque,
Ninguém falou em munguzá, canjica e pamonha
Jaca, mangaba, pitanga, sapoti, caju e cajá

Eita homi da mulésta e bicho arretado esse tal de Calaça
Que deixando seus hábitos de lado veio dar num Flat no Paraíso
Onde me disse que pra se usar o toalete foi necessário ter cartão
Tarjado, magnético, antiético, olhar irritado com o treco complicado
Mas pra tudo isso não fez caso, quis fotos, amigos e abraços

No final e antes de abandonar os nossos olhares ébrios
E as loucas noites dos tons cinzas da terra da garoa
Um último pedido seu foi feito ( e plenamente atendido)
- Mano velho, apesar deste meu olhar perplexo e angustiado
Para um oceano de carros e prédios de cimento armado
Não quero retornar minha saudosa e ensolarada Maceió
Sem beber da lenda que trago no peito criança: O “Rabo-de-Galo”

Copirraiti17Mai2013
Véio China©

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Perfumes


Nos meus olhos há lágrimas. Lágrimas que olham para a porta da sala, testemunha viva das malas que há pouco exilaram junto de ti. Porém a ausência não tolhe o rastro do teu perfume favorito, teimoso, que insiste ficar como seu eu fosse a viúva duma fragrância que fere e causa dor.
Não há como negar,  me sinto a chaga do mundo, ferida que não cicatriza, a dor que persiste, mas que diz que há vida lá fora e sons como esses que, eclodindo na janela são gotas duma mesma chuva que inunda dentro de mim
Ainda parada à passagem da sala, penso, repenso, e é tanta a dor, e o que faço?
Maldito seja o que não não sai de dentro de mim! Maldito sejas tu e o teu perfume que o meu amor abomina, mas que persiste incrustado mim e ganha os quartos e corredores a cada um dos meus passos, sufocando-me, confundindo, me assassinando.
Logo, me sinto mal e não mais quero respirar o ar dum passado de poucas horas, então saio e vou à procura de algum lugar que me faça  livre do peso da  idolatria que sinto por ti.
Pela mesma porta da sala alcanço o quintal e me misturo às águas da chuva e à fúria dos raios e trovões. Sim, sei que tenho pavor do estrondo que produzem, mas, mesmo que me amedrontem não arredarei pé. Portanto deixo a chuva molhar minhas roupas, o rosto, tocar meus lábios num momento que não é bom, é agonia, é meu desespero, destempero que me lesa às frações e me ocultam descobertas relegando-me ao descaso melancólico do teu amor.
Ainda estou frágil sob os rancores duma tempestade que mal inicia e tento evitar o desalento e não consigo, já que  desencontrada de mim sinto-me distante daquilo que fui, do riso fácil e um olhar de esperança eterna.
Sem saber como agir retorno para dentro da casa, e lá inesperadamente o teu cheiro me nauseia, enoja, mas mesmo que não se faça  motivo relembro os teus olhos, e eles são lindos, mas estão tão longe agora.
E é a imagem do teu olhar vagabundo que tatua minhas certezas, pois mesmo estando próximo estiveste tão ausente que jamais notaste as causas dos sorrisos nesta mulher que te amou.
Sim, essa é a  verdade e estou tão encharcada e tonta e ando para lá e pra ca como barata intoxicada, então entro e saio de quartos, inspeciono os corredores e retorno à sala acompanhada dum choro que me pede paciência e alguma necessidade do tempo.
Não preciso de tempo! Irrito-me em lamentos de leoa ferida à merce dum último disparo. Surpresa acolho os momentos que em mim as gotas estancam e estacionam em meus lábios, mas elas me  incomodam e obrigam-me a tocá-las com a ponta da língua. E assim eu faço e lhes sinto o sabor  insosso, óbvio sinal de que tudo é passível de mutação, pois já deslizaram mais salgadas.
Aturdida dirijo-me ao banheiro e acolho uma toalha de rosto, felpuda, e com ela vou à cozinha e preparo algo, preciso me ocupar. Feito, retorno para sala com uma pequena caneca à mão e a toalha ao ombro. Mas ali alguma coisa muda, está diferente, pois não mais ouço o barulho da chuva e nem dos raios e nem recende no ar o odor do teu perfume. Penso nisso por mais alguns instantes e um riso nervoso me escapa junto de  duas lágrimas retardatárias; talvez o teu rastro, igualmente covarde se dobrou ao delicioso e estimulante aroma de coisa fresca. - Boa viagem querido! - Murmuro-te em desejo ao enxugar o solitário par de gotas na maciez das felpas.
Antes de descansar a toalha no braço do sofá olho para as chaves duma porta trancada no mesmo instante em que desponta em mim um sorriso triste, nostálgico, conformado até, mas voluntarioso ao sorver o longo gole do café ainda quente.

Copirraiti09Abr2013
Véio China©

 *Primeiro experiência com um texto que tenta alcançar as sensíveis emoões de mulher.
Se foi conseguido não sei.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Introspecção



 Talvez a natureza aguarde o momento mais propício

Talvez espere que o amor esmoreça, que lágrima não caia
E o sentimento nos abandone
Pois talvez ainda veja em nós algo de solidariedade e paixão

Dessas que se acalantam exaurindo lágrimas dos emotivos
Entretanto e talvez seja pouco e o muito pouco não basta
Logo, quando o dia do fim chegar Sol e a Lua se perceberão;

Ele, o astro rei num riso mormo e a inércia da vida em fim
Ela, no fulgor radiante da princesa melancólica, nostálgica

A refletir nos mares como lágrimas de mulher

E, se desta forma for, talvez ao se encontrarem
Sol e Lua resultem num espetacular fenômeno
Que torne insano o mercúrio dos termômetros

Ou derreta em segundos as geleiras dos polos
Mas assim ainda não o é, já que a caridosa natureza nos permite aqui
Pois sabe dos sentimentos, e que deles não renunciamos por completo

Como esses que se condoem e vertem choro nos rostos emocionados.
E talvez, e só por isso que esteja pulsando vida, prorrogando o tempo

Porém nada é ou será eterno, e se não houver sentido para ser vivido

Instante que a natureza percebendo em nós todos os elos perdidos
Fará com que o Sol e a Lua se entrelacem num comovente abraço
Em carícias de tristes sorrisos ante a ironia do fato, a mágoa do ato

Que irá proporcionar o amargor do fel e o fim
Já que, sacramentado, nada mais surtirá efeito
E nem o admirar o embate nos será permitido

Pois o deslumbrante e estrondoso fim do universo
Eclodirá vontade em onipotente pororoca sideral


Copirraiti16Out2007
Véio China©

quarta-feira, 20 de março de 2013

Máscaras


Há na feição do teu rosto
A inocência pura e casta
Cânticos sacros e santos
Da virgem enclausurada
Par de asas que não voa

E é assim que sorris, ponta a ponta
A santidade  no seu par de covinhas
Raras sensibilidades,  belas imagens
Destas que nas sentenças da poesia
Tatuam-nos bruxos, contos de fada

Porém é no lamento dos teus olhos
Onde nostalgias disseminam raízes
Que mentiras em fel se desvestem
Revelando que  paixão das atrizes
Nada mais é que fato dissimulado


Copirraiti20Mar2013
Véio China©

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Néctar


Entre negras rendas
Mãos deslizam macias
E é assim que te desnudo
As curvas que me inebriam
E como um tigre te farejo
Ávido de sabores quentes
Que a carne fresca denuncia

Sem compaixão com a língua vasculho
Até cansá-la devassa, tê-la dormente
Mas a recompensa chega em breve
Ao ouvir os teus sussurros
No teu prazer que me é canto
Ao te sentires  possuída por inteira
Pois à mim o teu corpo não escapa

E assim a tua carne não me foi impune
Nas carícias vis com as quais te galguei
Desbravando-te coxas, peitos e ancas
Como omo quem domina a montanha
E atinge o topo e chega ao ponto
E ouço ecos dos gemidos e prazeres
Ecoando no desfiladeiro quase santo

Exaurida, olho-te e agora estás mais linda
Porém incompleta quer viver outra luxúria 
E meus  dantes olhos inocentes se extasiam
Ao ver entre o vão castanho das tuas coxas
Logo abaixo do pequeno triângulo
Escorrer da tua flor a essência deusa
Excretada dos prazeres múltiplos

Excitado, no abrasivo do teu olhar sei o que agora queres
E minha língua desliza em tua pele ao sorver-te o néctar
Num ato inesperado e profano, o meu presente para a ti
   - Vais me matar prazer seu filho duma cadela! -
Devassa, me insultas, vadia com olhares de uma santa
Depois num suspiro cravas as garras e me lambes a boca
Então sorrio vulgar diante da felina com delírios de puta


Copirraiti18Fev2013
Véio China©

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O Leão



O Leão

Eu sou um leão
Com a cabeça entregue
Numa bandeja de lata
Pelos caçadores do dia

Sabe.....Talvez
O que cansa não é perecer
É reviver e tornar a fenecer
................Indefinidamente

Quantas mortes
Serão precisas
Para me morrer?
Não sei, não sei

Copirraiti15Fev2013
Véio China©

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Cativeiro

Cativeiro

Sabes de mim passarinho
Mais que me próprio sei
Sabes do meu olhar

Que jamais te perde
E desta minha boca
Que sussurra o teu nome
Como quem acaricia com beijo
Os contornos da própria alma

Afinal, és um pássaro tão delicado
E há tanta candura neste teu olhar
Que te queria somente para mim

Porém nada será mais que desejo
Logo fantasias não são realidades
Assim como a água não é o vinho
Pois há muitos mistérios envolvidos
Contidos num labirinto de questões

O que sei é que teu poder deslumbra
Quando pousas em meu pensamento
E gorjeias a canção que me quer feliz

Então eu apenas te olho e nos sorrimos
Quando vergas as asas e ganhas os céus
E mergulhas num voo de casta liberdade
Para os olhos que obsessivos te desejam
Mas não te querem pássaro em cativeiro


Véio China
02Jan2013

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Seis


video

Seis séculos,
Seis décadas, 
Seis anos, o que são?  

Não sei e talvez ninguém há de saber
O que apenas sei é que eles encerram
As frações de tempo e toda a cultura
Tatuando consciência, fazendo história
Represando os momentos na memória

Os seis anos...Sinceramente?
Não sei e nem há como prever
Portanto teus, só tu para saber

E ao fim talvez nem saibas
Pois o pouco que deles sei 
Sei que vidas serão vividas
Sei de tudo, é pouco, aliás
E do pouco é que sei mais

Seis que amores verterão à luz do dia
Sei dos inesperados sabores amargos
Que secarão junto às folhas de outono

Sei dos atalhos no asfalto da mentira
Sim, essencialmente sei dos humanos
Das suas poucas verdades e da farsa
Sei do sorriso desvendado na alegria
E das mágoas que profanam o peito

Evidente, serei muito mais que óbvio
Pois insistindo humano sei algo mais
Sei do traço, daquilo que é  obscuro

Sei da pele, boca, sei dos beijos
Sei o ponto que abrasa o desejo
Portanto sei das paixões, as taras 
Dos momentos tórridos, instantes
Onde corpos se decretam prazer

Por fim minha amiga, sei que te pareço genérico ao persistir afirmando
que nada sei, e o pouco que do pouco sei não te sacie, pois o comum
despondera e não cala nesta boca que se embriaga nas ruas de Roma.
Entretanto aquilo que  pouco sei vou te dizer, talvez segredo ou legado:

Tudo haverá de se elucidar
Na crua frieza dos segundos
E na calidez do beijo da morte:

Seis horas 
Seis minutos
Seis segundos
Apenas serão seis
Para quê saber mais?


Copirraiti18Dez2012
Véio China©

**Para uma amiga de comunidade.




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Rota


Ah, poesia!
Poesia que devia
Poesia que supus
Poesia que não deixou a mente

Ah, coração!
Coração que pulsou
Coração que verteu
Coração que procurou versos

Ah, emoção!
Emoção que senti
Emoção que sorriu
Emoção que calou e percebeu

Que bem ao meu lado
Numa linha escondida
A mais simples poesia
Verso que tanto queria

A poesia, meu anjo...
A poesia faremos nós numa sinuosa estrada
Onde ainda não vemos marcas no horizonte
Mas apenas pegadas do meu amor por você


Copirraiti14De2012
Eduardo Pavani ©



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fera!


Ah! Se estivesses aqui
Te levaria para as ilhas,
E relaxaria à noite
Ao o som das ondas
Enquanto o vento
Acariciaria nossos corpos
Desnudos e em flamas
Sob singela timidez do luar

Porém não sou só mar,
Sou entranhas, sou fúria
A fera que te espreita
Nas minhas tantas imagens
E em muitas das paisagens,
A que te introduzo
Sim, não  precisas dizer
É sonho e não estás aqui

Portanto não há o cheiro da caça
Para saciar minha fome, pena!
Pois não sabes das fantasias
Que trajo as minhas vontades
Inebriadas e perdidas de ternuras
Desassossegadas em meus desejos
Pelos lassos sabores desta boca
Tua, e que meu corpo incendeia

Argumentos: Claudia Valéria
Participação: Véio China

*Mais um de Clódinha!
Esse..este sim, tórrido como um dia inclemente
do mais insano verão.

hehehe

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Além-Mar



Felina sim! Mas na ternura sou a mulher que arderá no ninho dos amores proibidos, um lugar que somente eu sei da rota e onde se vive intensamente. Compreendas, posso levar-te a esses lugares inimagináveis e em tantas outras extraordinárias viagens. Decidas agora se me queres menina mulher ou a onça que madura esturra no fogo das minhas entranhas

Ah amor! A saudade me era tanta
Que em plena tarde deitei à alcova
E pensei na maciez dos teus braços
E nos lábios sussurrando bobagens
Em meus ouvidos ávidos por elas

...Porém o meu corpo insatisfeito queimava e então me levantei e segui para a varanda onde sentada flertei com as estrelas que pairavam sobre a serenidade do oceano.  A tocante nostalgia estava ali no cheiro do mar e na melodia dos ventos quando inexplicavelmente lágrimas desceram de mim e banharam-me as faces - Algo persistia faltando e logo percebi que eras tu – E te quis ali ao meu lado e naquele instante. E te quis com as mãos nas minhas ao caminharmos pela praia sentindo nas solas dos pés as areia ainda quentes de uma tarde de verão. Sim, e esse mesmo dia se definharia em devaneios e cederia à cumplicidade duma lua cheia que contornar a minha silhueta na moldura da paixão.
E tudo insistiria e a saudade e meus pensamentos viajariam até um delicado momento onde suspiraria, pois na verdade não estavas ali. E melancólicos os meus olhos se voltariam para o mar e veriam o luar refletido nas águas num mesmo tempo em que acanhadas vagas se quebravam na praia. E a tristeza cederia lugar ao encanto e eu namoraria o chegar daquelas pequenas ondas que, depois retornariam tranquilas para o mar. E o instante e o cheiro e o vento me fariam consciente do simbolismo de tão magnífica paisagem, e então compreenderia que ao chegarem me trouxeram esperanças e retornando carregaram junto delas as minhas tristezas para um além-mar...

Subitamente fui arrancada deste devaneio e sorri ao pressentir que virias e te tornarias um porto seguro. E vou esperar por esse dia com a mesma ânsia da onça e aguardar o instante que, atracando recolheras as embarcações repletas de mim.
Ah meu amor, venhas logo e não demores tanto! Venhas e carrega-me em teus braços e faças de mim um dos motivos da tua loucura.

Argumentos: Claudia Valeria
Colaboração: Véio China

*Eu e a minha querida amiga e ótima poetisa Cláudia (sim, ela vai dizer que não!)  nos conhecemos numa comunidade chamada Bar do Escritor (Orkut) Sei que conversando recentemente Cláudia me desafiou a elaborar um texto com algumas linhas mestras dos seus pensamentos. Bem, tentei e gostei de brincar com elas. Porém a dúvida... talvez com as minhas mexidas tenham perdido a leveza da mulher.
Mas também Claudia...tu há de me dar o crédito: Jamais fui mulher! hehehe

sábado, 1 de dezembro de 2012

A espera


Queres uma poesia
Mas ainda não sei volvê-la
Meus sentimentos voam
Planam e são águias incertas

Que pousam em teu olhar
Cura para as tantas dores

Suspiras por uma poesia
Que ainda não sei contrair
Poesia talvez seja um parto
Doloroso, difícil, prematuro

Onde a aflição dos que amam
Rezam o aguardo da sobrevida

Desejas tanto uma poesia?
Sim, desejas, mas não a fiz
Apenas fito os teus olhos
E contorno as imaginárias

Linhas dos teus lábios
Ao ouvir-te calma voz

Questionas se esqueço a poesia?
Não questiones baby! Eu a farei
Poesia me é assim como o amor
É igual ao ódio, esperança e dor

Poesia é a mera questão do tempo
Onde toda a existência se acomoda

Copirraiti01Dez2012
Veio China©

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Mortos-Vivos

Assassinado o que acreditamos fenecemos o EU
Tornando-nos apenas mortos-vivos
Desses que levantam para novamente deitar.

E quando a morte se faz por nós mesmos
Levamos para um caixão ainda em vida
A pujança do Fogo, do Ar, da Terra e Água
Motrizes plenas de todas as sensações vivas
Forças geradoras que sinalizam para a vida
Inequívoca e única e o motivo de estarmos aqui.
Digladiados entre o bem e mal, razão e emoção

E cedo á razão ao não mais sentir-te  as emoções
O jeito que te me entregas ou que te restou no olhar.
Pois aniquilei toda sandices e teus cruéis personagens

Sim, foi doloroso extrair as mentiras nas tuas verdades
Assim como dilacera-me agora ver teus olhos cerrados
Pois lembro-me deles ainda sorrindo e gostava tanto 
Recordo também tuas palavras que um dia juraram
Celebrar unicamente a verdade, como por exemplo
Tua paixão por mim, raios de sol e noites de lua cheia
Enquanto eu sorria no mesmo verde das tuas pradarias

E agora é tão triste me ver no lugar no qual estou
Perturba-me este odor, o doce cheiro da morte
Se desprendendo como suor nestas flores eternas

Desespera-me colorido destas pétalas aveludadas
E das rosas que em tons avermelhados te ladeiam
Entendas, te lamentam ao acariciarem-te a silhueta. 
Enfim... Não há do que te queixares, enfim,  hoje
E tão somente hoje elas te serão companhias
Já que são as únicas testemunhas dum sentimento
Que carne-unha riuiu juntamente a ti; O amor

Portanto celebro a vida, não a tua, mas a minha
Pois ainda sopra dentro de mim as força e vida
Assim como demais os elementos da natureza

Sim, confesso-te que por vezes me senti morto
Mas ressuscitei no agora e assim me sinto lúcido
Afinal, aquelas mortes jamais foram as minhas
Todavia dona, me dói muito e te peço desculpas
Pois me é impossível abandonar--te sem sepultar
Ah..minha doce e insensível senhora...
Se soubesses a dor quando se enterra um morto-vivo...

Copirraiti13Nov2012
Véio China ©
**Estranho..amanheci pensando em Nelson Rodrigues...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A ferro e fogo




Vou falar das linhas que não mais se deitam
E da poesia abandonada e da falta que sinto
Vou falar da vozes que agora não sentenciam
Do olhar vago que não vive para  contemplar

Descolorimo-nos nas trincheiras, soldados sobre minas
Um navio de medos zarpando, deixando à beira do cais
A tristeza do homem, o aceno de mão, embargo da voz
Ao olhar a nau que desafiará um mar inaudível aos ais

Portanto fostes a  fantasia, ilusão daquilo que foi sonho
Um mar que arrebentou lá fora e levou a nau e a paixão
Deixando quimeras e prantos soluçando ilusões no sujeito
Que não mais sonhará ,pois viverá apenas para fantasias...
....
Ah, é cruel a imaginação que nesta hora  me toca 
Ao reinventar o enigma dos teus castos sorrisos
E um tênue olhar nostálgico que encanta as rosas;
Flores nos tons do sangue que florescem no jardim

E estou acordado, louco fantasma a imaginar os sorrisos das pétalas
E há sol e ele parece feliz ao acariciar um  beija-flor que bate as asas
Que reverenciam a ação dos ventos, e se locupletam nas paisagens
Colorindo-se nas matizes, vestindo nuvens, tingindo de cores o céu

E nele o azul mais exuberante que vi 
Um tom onde os olhos se acalmam
Desses que não ousamos em sonhos
Pois realizam somente na imaginação

Copirraiti30Out2012
Véio China©




Copirraiti30Out2012
Véio China©

domingo, 21 de outubro de 2012

Surpresa de Feira

Na feira hoje encontrei
Uma coisa que nada paga
Algo que jamais trocarei
Carinho que me afaga

Na feira hoje encontrei
Poema com sentimento
Cair uma lagrima deixei
De puro contentamento

Na feira hoje encontrei
Essa pessoa de amor
De ledice eu pulei
Ao sentir tanto calor

Na feira hoje encontrei
O Véio China, será?
Ou o Eduardo não sei
Eu não soube enxergar

Quem sabe essa mistura
Ficção e realidade
Que fez essa criatura
Encantar-me de verdade.

Hoje na feira vou deixar
O mais puro sentimento
Esse  que nos faz voar
Faz-nos leve feito vento

 Beijos Véio ... sem palavras!

*Um carinho da poesia de Raquel Ordones no coração do Véio China.
Obrigado Kell! Sempre!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Toques



Hoje o dia foi duro, um dia dolorido
Foi dia que me perdi do seu perfume
Confundido ao etnreolhar-me na ilusão
Angústias daquilo que não foi o amor

Moça, hoje foi um dia triste, acredite
Não houve toques para  meu celular
Só silêncio, a falta da voz da mulher
Que me diz: oi amor, está tudo bem?

Hoje me senti herói ao duelar com a melancolia
Pois sua voz ainda dormia em minha lembrança
Quando os meus trêmulos dedos da mão direita
Tristes, excluiram suas mensagens da caixa postal

Copirraiti11Ou2012
Véio China ©

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Viagem Insólita



Quisera eu
Que o tempo fosse apenas tempo
Algo manipulado e que impusesse à lembrança
Relacionamentos eternos mesmo que distantes
Desses que não se abalam ao longo da  trajetória
Que reagem brado às revoluções da sua  história

Quisera eu
Que o tempo fosse nada menos que o tempo
Ao  me deixar sonhar e sem levar-me da memória
Coisas jamais vividas como um cheiro de tua pele
A umidade do teu corpo e o amante sorriso do olhar
Ora tempo! O que pedi se não apenas o querer amar?

Enfim, quisera que o tempo sendo a determinação do espaço
Desatasse-me das incertezas e que ainda houvesse um tempo
De viver não apenas os pensamentos, mas a crueza dos fatos
Que não permitiu o toque da tez e nem os sussurros dos lábios
Num encontro ansiosamente esperado, mas que não  foi vivido
No suposto de nosso amor que, devastado nos medos feneceu

Copirraiti10Out2012
Véio China©

*ica

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Concreto

Concreto é o que jorra
Das mentes, palavras e afetos
Concreto é o que pulsa
Nas veias, índoles, desafetos


Enfim, concreto é apenas concreto
Agregado de pedra, água e cimento
Endurecendo o exibicionismo humano
Em vaidades vis e sem discernimento

Copirraiti28Set2012
Véio China®

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Giz



No quadro-negro
O amor se dissipou
Retornando ao pó
Branco, amarelo, azul

Sem qualquer vestígio no apagador
Supõe-se que o giz foi  assoprado
Pela dissimulação que se urde no peito
Ou nas mentiras que se proclamam razão

Copirrai14Set2012
Véio China©

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Carnívora

Dentes teus que penetram frios
A fincar como garras nas costas
Ao que a língua me lambe infame
Sentindo o gosto de mim, incauta
Impotente presa de tua fome

Que te excita e refuta o torpor
Então da carne sentes o calor
E no exalo da pele um odor
Que te enlouquece no ardor
De excretar de mim o sabor

Foi tua tocaia, perfeita, capitulo-me
Ao esturro da onça vil e carnívora
Que ora se aninha doce em meu peito
Depois de devorar-me ao meio do leito
Na fúria da posse e no delírio do amor


Copirraiti28Ago2012
Eduardo Pavani ©

sábado, 7 de julho de 2012

Erros

Preciso aprender a controlar a fúria
das minhas palavras
Fazer da minha poesia paisagem calma
Onde não há pedras,
Onde não há erros

Observar atenta cada virgula, cada letra
contar as sílabas dos meus vãos sonetos
Preciso alentar meus verbos
Fazê-los concordar com a vida

Eu preciso nas minhas letras densas
Que o medo imenso
Já não seja prepositivo
Que os meus motes então não firam

Preciso deixar tempo e pessoas
que vão comigo no infinitivo
Guardar meus erros em meus escritos
enquanto a alma se ameniza

By Cristhina Rangel.


Um poema de minha amiga Cristhina
homenageando o Véio China pelo
relacionamento do dia-a-dia no BDE
uma comunidade literária do Orkut

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anjos e Demônios


Somos anjos e demônios.
Enquanto anjo visita-te a doçura das preces
Que dedilha  poros e suga as tuas cavidades

E assim entre desejos e rubores é que te escancaras
Permitindo um beijar-te a  boca e acariciar-te o sexo
Num mesmo suave e costumeiro jeito de nos possuir 
Sorvendo-nos  o que se excreta na libido dos corpos

Porém nem sempre me quererás assim; Doce, sacro e santo.
Por vezes tornar-me-ás brasas e vestirás em mim o demônio
Que lateja em ti as profanas chamas que nunca adormecem
Desafiando-me os gemidos que se partilham pelas paredes
Como pudessem elas ocultar os segredos dos meus prazeres
Ou o momento espúrio onde não te importas em ser dona de ti
Pois me imploras perversa naqueles lábios devassos e carmins

- Cara,  venha! Aqui jamais o solo é santo
E nem tampouco você é o meu anjo agora!

Sim! É certo que te ouvirei um riso debochado
No instante que me revelas que teu peito ofega
E o momento é aquele, é hora, é bote de cobra:

- Venhas! Penetra-me rápido seu descarado! –
Ordenará a serpente que na cama rasteja em ti

Ora! O que importa é a iminência do prazer que concedo
Na pele que me vestes;  a do pobre diabo que te convém

Insatisfeita insistirás sedução e serás por mim possuída  
Para desfalecer no gozo que te escorrerá entre as pernas
Então me olharás vadia e recolocaras a diminuta calcinha
E sutiã transparente naquela irresistível tonalidade sangue

Depois o silêncio dos gemidos e tudo como sempre foi;
Sorrindo-me te levantarás e seguirás para o banheiro
E ali como de costume inspecionarás a  tua imagem
Caras e bocas e as mãos deslizando pelos fartos seios

Da cama os meus olhos te perseguirão e pelo vão da porta entreaberta
Apreciarão as estonteantes curvas vestidas na insensata lingerie grená
Então será o meu momento e sorrirei descarado acendendo o cigarro
Que expelirá fumaças que serpentearão ao reflexo do espelho no teto


Copirraiti 2011Set21
Véio China©

domingo, 24 de junho de 2012

Trevas


Trevas

Há trevas
Na luz que cega os galhos
Secos e apodrecidos
Que se tombam inertes
Em corpos pútridos
Feitos da raiz de nós

Há trevas na existência
E em todos os supostos deleites
Que aparentando brilho turvam vidas
Obscurecendo olhos, estancando veios 
Que sem a seiva não mais lacrimejam
Os conformismos deleitados em pó

Copirraiti23Jun2012
Veio China©

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fascínio


Há feitiço  na tua expressão
Que ora diz sim, outra não
Mas que sabes, incita-me  
Em insofismável fascínio

Há feitiço em cada linha do teu rosto
E neste sorriso que rompendo o dia
Desafia tolos e suas falsas crendices
De não verem na vida algo de magia

Há em você um feitiço, o maior de todos:
Um olhar de quem oculta pedras preciosas  
Que se encantam nos atalhos das  mil rotas
Seduzindo-me como os olhos de uma naja


Copiiraiti12Jun2012
Véio China ©

terça-feira, 5 de junho de 2012

Let It Be

Tudo soou tão estranho
E o "fora" pareceu agravar a situação
Agora em cantos opostos eu olhava pra ela,
pros longos e azulados cabelos dela,
e eles bailavam nas curvas da cintura
como nada houvesse acontecido, ninguém ferido
Por um minuto pensei, aliás, eu não, o amor próprio:
Que não era necessário alguém me convencer
que eu era o garoto mais maneiro do lugar
O que poderia ter visto naquele loirinho magro
de pernas tortas enfiadas na justa calça Lee?
Algumas garotas passaram e uma delas olhou interessada
E era bonita, se insinuava, mas eu não as notava
A vontade apenas de ficar ali no canto, parado
num rosto fosforescido nas luzes negras
 a olhar os azulados cabelos que dançavam
no compasso da música que se iniciava
E a voz ecoou nas potentes caixas de som,
doce, apaixonada, e de alguém que conhecíamos,
doçura que não suavizava o gosto amargo da minha boca,
o momento ou os sentimentos que eu experimentava
Let It Be... Let It Be
Foi a primeira vez que ouvi aquela canção dos Beatles 
Deixe assim... deixe estar, pedia Paul
num baile que prosseguiu, isqueiro, cigarros e um rapa pra cuba
O que mais poderia fazer a não ser estar ali e destroçado?
Foi então que bebi o que doeu ouvindo os heróis da minha geração,
reis sufocados de fama, de grana,  de gritos e obsessões
Garotos que quase nada sabiam a não ser cantarem para um mundo,
que queriam livre, para eles, para mim, e uma recente juventude 
que nem tão jovem era

Copirráiti jul/2008
Véio China®

Asas

 Mesmo que não houvesse olhos
Talvez eu não os precisasse

E se dos lábios sentisse a falta
Será que os necessitasse?

Enfim, há algo de simbólico
No coração que pulsa perfeito

E ele toca
Vê, ele fala
Anjo, amo você

(Eduardo Pavani)

Onça

As vezes um urro
Suas unhas fincam minhas costas
Causam dor, apesar de saber, é amor
Noutras seus murmúrios me arrepiam
Escapando dos lábios de hortelã
Um doce toar das mil lições de amor

Ah, Maria, branca, rosa, Maria Flor!
Mesmo não misturados amor e dor
Causam-me medo, espanto e diversão
Afinal, inopinada, de insólita previsão
Na fúria sou a presa, devora-me a leoa
Quando onça, lambe doce, faz-me a cria

Eduardo Pavani

Azul

Azul

Ah azul....

Azul que me encanta
Emanando do mar
Perdurando nos céus
E abraçando essa Terra

Por vezes
Com o desespero de um pai
Ou as dores da mãe,
Mas sempre, sempre....

Com desmedido amor


Eduardo Pavani

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pilares de Maio


Não são teus esses meus olhos
Nem esta boca, pernas e braços
Serei mais preciso
Nem mesmo meus pensamentos
Tão confusos e incertos
São teus ou do teu conhecimento

O que pode de haver especial em mim
Se no espelho fui passado
E hoje me atraco no presente
Que não me faz covarde ou valente
Pois o término é no fim do muro
E ao futuro é que a vida pertence

Portanto não olhas o que vejo
Não carregas o peso
a que me atrevo
Nem segues as rotas das pernas que não falam
Pois caminharam estreitos, imprecisos, escusos
Feitos de atalhos zombados às gargalhadas

Assim nada há de especial em mim
Talvez  te excites a forma inconsistente do meu ser
Este meu levar a vida vislumbrando nada, supondo tudo
Algo parecido ao receituário inexato e de prazo  vencido
A medicar sanidades que me insuflam e afrontam
E dobram-me nos joelhos, mas que jamais me carregam

Talvez eu seja apenas essas tolas bobagens
Ou o acaso daquilo que é frágil me imaginar:
Um sobrevivente sem a menor compaixão
Desses que não sabem se há o sofrer nos amores
Ou sequer se há cores nos olhos da paixão
Por fim; A irritadiça inércia em solo vadio

Pois bem...

Pensem o que quiserem
Isso pouco ou quase nada se me dá
Pois debaixo de minha pele curtida
A vida mecaniza sentimentos selados
Contudo há tons de esperança no sujeito que estou
E outras cores haverão além dos alvos fios da barba

 Enfim...

Sinto-me um cara apaixonado que planeja ser feliz
Reavendo do tempo o tempo que o tempo levou
Pois meus pilares de Maio estão mais fortes que nunca
E são como as águias forjadas no mais puro aço
Que não se sustentam em sonhos sem poesias
Ou nos poetas que planam sem quaisquer fantasias

Eduardo Pavani 11/05/2012
Para alguém...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A varanda

Neste céu salpicado de estrelas
Os astros brilham duma forma que jamais vi
Aqui no campo não há a algazarra dos motores,
Ou pessoas amedrontadas no apartamento ao lado
Aqui  a natureza  fecunda e gera odores e  sons
Cheiros que jamais se misturarão à nefasta poluição
Ou ao tabagismo crônico da minha insone estupidez

E eu apenas olho, sinto e me apego na escuridão
Numa noite que me oferta mais que os faróis dos carros
Ou as luzes de emergência das saídas de cinemas
Mas sim o murmúrio das copas que me brindam
Com as pequenas luzes de sensíveis vaga-lumes
Que cintilam  sagradas, verdes, candentes
Como se fossem pisca-pisca numa árvore de natal .

E é nessa calmaria entrecortada pelas preces dos grilos
E todos os tons duma primaveril atmosfera
Que inspiro o cheiro da terra molhada, do mato orvalhado
Absorvendo todos  odores que se fundem ao ar, gélido
E se misturam e impregnam-se nas minhas narinas,
Corando-me as faces, afetando-me na sanidade dos pulmões
Miseravelmente tão afeitos à degradação da grande cidade

Assim, ajeito-me numa cadeira de balanço da varanda
E sem pensar em nada que não seja o vaivém do movimento
Trago um, dois, quase meio maço de cigarros
Num ato injusto de macular a perfeição que me acerca
Atitude horrenda e espúria que faz perpetuar em mim
A crua  natureza da humana insensibilidade
Diante das coisas de Deus e de tão bucólicas paisagens



Copirraiti 02Mai2012
Edu Pavani

*Adaptado de parte do conto "Marcela, eu, e um dia na roça"
Para Marselha.

sábado, 21 de abril de 2012

Pétalas de outono

Por que há tantas pedras em minhas mãos?
Talvez porque aja em mim o covarde confinado
Fracasso degustado em fogo brando
Temperado de angústias e madrugadas
Então saibas poltrão! Queiras mais,
Sejas mais que o fatigado sabor aveludado
Das belas e melancólicas pétalas de outono

E por que essas pedras pranteiam em minhas mãos?
Lacrimejam pois não há o meu desejo de aniquilá-las
Senão apenas a solitude dum esforço pérfido
De proteger-me do que restou junto a nave mãe,
Numa desastrada tentativa de rever-se enganos   
Traços vitais de todas inverdades e crenças abarcadas
Afinal, poucas verdades jamais saciam os mentirosos

Porém a pergunta insiste e nunca cala:
Até onde renegarei a legitimidade daquilo que em mim não se opera?
Não sei e jamais saberei! Sou o frio, calor, broto de flor, sou folha seca
Me visto na morbidez e a intempérie que açoita as quatro estações
Insensível e inequívoco engano que não ousa como o sonho do palhaço
Um anarquico logrando a vida naquilo que ela me dá de mais ordinário
Sou simplesmente um nada, ínfimo, menos que coisa qualquer

Enfim, o que há de humano e de desesperador agora lateja aqui
Nesse desacerto, nesta estrela ofuscada num céu de breu,
Nesse tolo intérprete de cansados scripts mitigados 
Um farsante que sem o julgo se decreta na própria sentença
Da ambigüidade consumida nos três cantos da consciência
Enfim, sou água contaminada que jamais perfura pedra dura

E esses talvez são os motivos delas criarem afetos em minhas mãos
Sensações amargas que se distanciam das pétalas do outono que quis
Pois o que acaricio são somente pedras, frias, rijas, insensíveis
Pedras que um dia serão lançadas a penitencia que me proponho
De chegar o momento de refletir-me num cálido sorriso de criança
E nele abominar-me o espelhado e as tantas hipocrisias impostas
Nos dolorosos contornos escolhidos e na falsas fendas que murgulhei

Véio China ©
21/04/2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ao pé da serra

É amor
E é tão forte
Que sobreviveu aos meus tolos desenganos
Ludibriando raposas astutas
E o insano gargalho de noturnas hienas

É amor
Um amor tão pujante e puro
Que penso, só desistará de mim ou de você
Quando em um de nós não mais houver o sopro

É amor, definitivamente é amor
Um amor tão límpido, tão lindo
Que peço-lhe, se a ordem cronológica vingar
Guarde-me em pequena caixa de madeira de Lei

Pois há em nós o sentimento perfeito
Que  unirá e nos tornará apenas pó
Negras cinzas que num melancolico lamento
Serão levadas pelos sabores do vento

E quando a magia do momento chegar
A poeira lançada afagará a singeleza verde
Um brinde à cumplicidade fértil do solo mineiro
Ante o olhar complacente da Serra do Paraíso

Eduardo Pavani
11/05/2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Noctívago

Talvez

A madrugada seja unicamente a ilusão
Um falcão de coração apertado
Que mira a caça com os olhos fincados


Talvez

A madrugada seja nada mais que murmúrios
O lamento rajando como o vento de fora
Um uivo que desimporta no rogo das horas


Talvez, e só talvez

A madrugada seja apenas a mulher que vai me matar
Com requintes do que não sei, sem me deixar saber
Se de amor, por dor, ou num reles prazer


Copirraiti 08/02/2011
Véio China©

sábado, 26 de novembro de 2011

Emaranhados

Em denso nevoeiro
A opacidade dos faróis do carro
Projetam-se denunciando eu e você

É noite e ela é doce e murmura amores
Diante um vento que açoita fugazmente
Seres abrasados nas juras do fogo lascivo 

Há conspiração e a complacência duma lua que espreita
Olhares ansiosos diante a prostituta conivência da noite
Que eternamente se enamora daquilo que resiste além-sol

É desta forma que a madrugada acolhe as sombras amantes  
Nós num campo neblinado bailando em ritmo compassado
Envoltos nas carícias e pelos tons das inebriantes melodias


Enquanto ao redor, obscuros e em tocaias
Lobos de olhares rubros e  presas afiadas
Maldizem os vícios de imensurável paixão


Copirraiti 26Nov2011

Véio China©


domingo, 6 de novembro de 2011

Se ( Para Olga & Elisa )

Ah se o riso fosse tão fácil
Ao esmagar as pútridas feridas
Algumas até na cor do anil

Ah se a dor não fosse tão triste
Escarnecendo as linhas da face
Com seus cinco dedos em riste

Ah se a vida não fosse tão efêmera
Levitando prantos, fazendo surpresas
Na timidez das esparsas alegrias

Ou quando não
Florindo em asas de tempo
Trazendo vento e sons de lamento

Enfim, seriam esses os motivos
De negar-me o doce acariciar
Das minhas tantas cicatrizes?

Copirraiti 05Nov2011
Véio China©

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Goodfellas

Ah saudade!
Saudade dos teus longos cabelos azulados
Refletidos ali nas luzes negras
Em raios coloridos e neons
Te projetando como sombra de parede

Ah saudade!
Saudade dos teus dentes, alvos,
Da pegada perfeita
Da tua boca mordiscando meus lábios,
Possuída do mais denso desejo

Ah saudade!
Saudade de mim e de você
E do amor que não mais sinto, roubado
Enclausurado no refém que me tornei
Nos labirintos do teu negro olhar

Copirraiti ago2011
Véio China®

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mooca Mia

Para Mano Véio.
...

Nascido na Mooca
lobo de fogo
guerreiro solitário
suas lembranças
ainda são crocantes
tais quais as pipocas
dos cines Aliânça
Ouro Verde e Patriarca
a experiência foi dura
nostálgico chorou
quando o cine Roma
fechou suas portas
com o filme Roberto Carlos
em Ritmo de Aventura.
Malandro da Mooca
criado nas gangs de rua
sobreviveu a era da navalha
e brilhantina
longe de ser um homem
calculável do dócil rebanho
fruto da melhor argamassa
do rio Tamanduate
ainda mantem
de sua identidade antiga
o velho gingado e paletó aberto
o lenço de seda no pescoço
para cegar navalhas inimigas
nosso herói aspira á unicidade
enquanto a grande maioria
tomava seu cuba libre
ele bebia e até hoje bebe
seu Blood Mary!



**Uma homenagem do fantástico poeta Bento Calaça para o seu mano, Véio China


http://vocaroo.com/?media=vSxpDu9v6VBls1dnN

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Follow Me

Siga-me
Esqueça essas feridas que marcam a sua pele
Essas cicatrizes tão visíveis que pretendem
Constranger

Siga-me
O ferro quente queima e arde
E eu sei da intolerância e o prazer
Que muitos sentem aos nos ferir

Siga-me
Eu posso ver suas marcas
Contorná-las com dedos
Percorrer cada linha, cada dor

Siga-me
Pois elas nos acompanharão
E eu gostaria de curá-las, mas não posso
Pense nelas como obstáculos no caminho

Siga-me
Eu também tenho os meus espinhos
Ferimentos causados por pedras e estradas
Repletas de ciladas e que não soube contornar

Siga-me, e apenas
Acaricie as minhas cicatrizes como afagarei as suas
Não há e jamais haverá ferro em nossas mãos
Nelas apenas o amor de quem não sucumbiu

Siga-me!


Copirraiti 29Mai2011
Vpeio China©

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fórceps

¨
O que escondes atrás destes teus olhos
E na tristeza de um sorriso tão meigo?
Parece-me haver neles tantos apegos nostálgicos
Que sou capaz de pressenti-los donde estou
Todavia, o desconhecido não me faz decifrá-los

O que está ao meu alcance é aquilo que me permites ver
Não há enganos, pois bem sei,
Que apesar dos teus muitos desencantos
Reflete-se tanta vida neste teus olhar que o justo é se ter feliz
Entretanto percebo; o medo escraviza e não ousa revelar-se

Ah! Será que és ilusão? Gostaria de saber aonde e como te tocar
Descobrir a fenda, a lacuna, um ponto de acesso e transgredír-te
Aproveitar-me da loucura e profanar-me no santo em sua cruzada
Exorcizando a fórceps as feridas impolutas dum olhar melancólico
Que me enfeitiçou sem medos ou  quaisquer ranços de compaixão


Copirraiti 17Mai2011
Véio China®

terça-feira, 17 de maio de 2011

À Deriva

 


Elemento da natureza
Sou matéria do capricho
Do macho e da fêmea
Numa noite de amor e libido

Água, Fogo Terra e Ar,
Beba, se aqueça, ande e respire
Foi o que me ensinaram sem saber
Se haveria salva-vidas dentro de mim
 
Não! Não há e jamais houve
Fora de mim apenas os mares que singro
Ondas calmas e bravias que me naufragam
À deriva, seduzindo-me a não submergir
 
Copirraiti Mai2011
Véio China©
 
 http://vocaroo.com/?media=vUUIQPvWMBewGua8P

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A mentira dos cortesões

Você, língua de fogo, lábios carmim
em boca obscena
a murmurar indecências
dessas que me contaminam.

Eu, labareda incandescente
infectado pelo instinto e desejo
daquilo que é prenda e se esconde
sob o seu justo vestido vermelho

Nós, a rudeza dos seres ordinários,
que se perdem em arco-íris insensível,
e que se esvai das cores que avivam o amor.
Nada mais que viajantes insólitos

[nos delírios das rotas que nos são doentes]

Músculos, artérias e o sangue bombeado
pelo esforço e nos beijos sucumbidos
em bocas salivadas de libido, mas que hoje,
lamentam aquilo que se supôs legado

[a paixão que jamais deveria fenecer]

Enfim, somos o que se repudia, mentiras,
passageiros ensandecidos e vulgares
a viver de um passado que nos devora
quando nos vê extenuados e possuídos

[E o pior, nos chamando de “meu amor”]


Copirraiti 01Mai2011
Véio China®

domingo, 24 de abril de 2011

Os olhos de Irie

Não, não me olhes assim
Me furtam do mundo

Estes teus olhos verdes

Que luzem endiabrados
Feito tardes ensolaradas
Onde caço esmeraldas

Não, não me fites assim
Pois desnuda-me por completo

E eu sinto vergonha

Não de você e nem do meu corpo
Mas da insistência do olhar que cravas em mim
Sem eximir-me da veleidade de desbravá-lo


Copirraiti Abr2011
Véio China©

Homenagem a Iriene Borges e ao enigmatismo do seu olhar.
Abraços, Irie!

Portas ( Para Olga)

Portas estão sempre a me fitar
E no namoro eterno desvendo
Cada um dos tons do seu bater

Uns batem forte e ressoam a saudade
Que se despede num rangido triste
Desses que não se consegue evitar

Outros, sussurram meigos nas horas imprevistas
Pois as portas entreabertas, mesmo que doloridas
Perpetuam na eterna pergunta do pra que vieram

Contudo, apesar das lacerações, portas são  portas  
Madeiras que cedem à esperança no comando das mãos
Cientes apenas de como abrem e quando se fecham

No infindável calejado das expectativas


Copirraiti Abr2011
Véio China®

quarta-feira, 30 de março de 2011

Suturas


Há coisas que não quero falar
E deixo adormecer
Com a mesma sonolência de um cão vadio
Que indolente me espreita da soleira da porta
Parecendo tudo saber...

Há coisas que não quero falar
Desse meu jeito rude e entediado
Navegante abstrato das coisas cotidianas
Plantado e ceifado como a flor da cana
Num universo onde nem pretendia estar

Há coisas que não quero falar
Não há o porquê decifrar entrelinhas
E nem saber se há verdades ou mentiras
Talvez os lábios e o dom da minha fala
Exilaram as lágrimas que se converteram ao pó

Há coisas que não quero falar
Prum mundo de retalhos, agulhas e fios de nylon
Pra quem me ouvisse,  mas não há mais a voz
Não há mais nada, apenas o cão que vejo adormecer
Sem me sorrir como na noite passada.


Copirraiti Mar2011
Véio China®

domingo, 6 de março de 2011

O aprendiz de Camões.

Dormes com cem  reis na barriga
E de tua boca cheia dos dezoito
Cachorros que latem
Nada se ouve se não falácias

 Esqueças de vez o Aurélio e Houaiss
Uses moderadamente como fonte de consulta
E jamais para o embuste a que te serves:
Obsoletas, enfadonhas e eruditas charadas

Poeta, se Camões  tu fosses
Fatalmente odiarias dicionários
Pois saberias que a erudição feneceu no tempo
Cedendo espaço para um mundo modernizado

Contudo, continuas tão antiquado que não percebes
Que marionetes manipuladas sapateiam e aplaudem
As teclas  mofodas de naftalina com que escreves
Afinal, narcisista, te quedas àqueles que te ovacionem

 Portanto meu caro aprendiz camoniano
Não te iludas com o afago paulistano
Ou os braços abertos e o tapinha na costa
Do Cristo Redentor e do povo carioca

Toma teu prumo e te atina
Que para a língua portuguesa
Mais que lagostas e suco de framboesa
O povo quer arroz, feijão e farofa à mesa


Copirraiti 2011Mar
Véio China®

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Masoquismo

Passados
Não se extinguem à meia noite
Mas na simplicidade
da água saudade
Que o piscar dos olhos propricia

E o passado também se lê no amor que morre
Por vezes assassinado de tão necessário
Que tê-lo sepulto em cova profunda
Abaixo do concreto das todas emoções
Torna-se vital questão de sobrevivência

Contudo, humano que somos
Não esperemos que após fenecido
O amor alce vôo à galáxias distantes
Ou asse em alumínio e fogo brando
Das azeitadas panelas do diabo

Todavia impõe o imprevisível bom senso
Fazer-nos retornar ao fim do terceiro dia
À caça de lazaras fendas nos veios do cimento
Pois comum a este nobre e profano sentimento
É ressuscitar-nos para outros tantos sofrimentos


Copirraiti 2011Fev
Veio China ®

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dolo

Armado
Das dúvidas diárias
Inverso
Aos contos das fadas
Transformado
Em cimento das obras
A sepultar
Legitimidades de um dia


Copirraiti Fev2011
Véio China©

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A insustentável leveza do ser (By Véio China)

Alvidrado

Sinto-me leve
fração pintalgada
branco amarelada
do mais tenro algodoal

Tudo me seria alvissareiro

Se não fosse me ver plantado
Em base de ribanceira de oceano
- Me tonteio com a altura -
E certamente o tombo me afoga

Afinal, pra quê tanta leveza?
Para não ver o meu fim melhor seria
Não ser a sensível rama de algodão
Mas sim doze begônias de chumbo

Óh não! Não! Por favor, não!
Ao acaso estarão conjecturando
O mesmo insensato  pesadelo
Que há após o encanto do sonho?

Estanquem o oxigênio em vossos pulmões
Travem o excesso de ar no tubo traqueal
Serrem os dentes e selem o contorno labial
Assim ventania não vaza na cavidade bucal

Clemência é o que vos peço!
Apesar de todas as ansiedades
Que lhes imputam as vontades
De me verem plainar num tango 

Não, definitivamente não me assoprem
Quedo-me à inexorável ação do vento
Arrependo-me, é claro, ontem e hoje
De estar plantado como algodão-da-praia

Afinal, não sou tão insustentável assim.
E o chão que deveras me guarda
São as mais lisas pedras da costa
Que sorriem, pois sabem do meu fim


Copirraiti Fev2011
Véio China®

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Caixão e Vela Preta

Ah seu moço eu me lembro das sete moças
Com flores nos cabelos, prometidas donzelas
Fecundadas por mim
Um viajante de boa aparência e muita falação

Pra que fui mexer com poderosos donos de latifúndios?
Se aperrearam e silibaram “esses” entre os dentes
Foi então que aprendi; Com nordestino não se mexe,
Inda mais coronéis abufelados tal guizo de cascavéis

Às custas dos meus sorrisos e alguns bons trocados
Fui logo avisado pela quenga do Beréu do Aleijado
“Te acunha rapaz” Que teu couro ta à prêmio!”
Que nem gado selado, eu era um sujeito marcado

À troco de três ternos riscados
E dum relógio Ômega falsificado
Eu vexado sumi pra caixa prego
Touro jamais deveria ser castrado

Sete longos meses se passaram
E da quenga que confiava recebi uma carta:
A filha de coronel Fogaça embuchara
Portanto prematura nasceu a minha cria

Era uma linda menina de olhos negros iguais aos meus
Mas não a conhecia, pois só fugia, dia e noite, noite e dia
Depois disso minha vida foi tomada de silêncio e estranhei
Pois a quenga jamais respondeu as cartas que mandei

E foi assim numa tarde de tempestade alucinante
Diante a fúria dos raios e trovões dum lugar distante
Que a bala do jagunço me alcançou
O corpo combaliu e não mais tive como fugir

........................................


Sete horas do mês sete dezessete era o dia
Sete velas de três de quartos, sete chamas em sacristia
O riso do diabo faz tremer Virgem Maria
Minas Gerais velava o meu corpo indigente



Copirraiti Ago2010 – Jan2011
Véio China©

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sahara

Hoje me vi em tuas retinas. E como super herói das revistas em quadrinhos impregnei-me do raso dos teus olhos transmutando-me em duas gotas reluzentes que evitavam  à todo custo desabar no precipício.
Precipício que construí, e me corrói permeando-me em todos os desamores como as sílabas mortas que silenciam ante incautas folhas dum virgem papel.

Negligente, pois tão fácil era te amar, mas não consegui, privando-me assim das coerências e no notar à tempo o quão árido havia me tornado. E agora debato-me, toco-me nas peles e o tato acaricia o álgido capitão empoeirado,  algo bruto e insensível, que, valeu-se do corpo fechado, mas que agora olha para o passado, e vê emocionado as gotas reluzentes que tentam não desmoronar diante de mais-um-sem-fim


Porém o peso dessas lágrimas se fez sentir e não mais me sustentei.
E eu, sem saída escorri-me por tuas faces numa dor tão víscera e definitiva  que prostrei-me diante a possibilidade da morte. Não da morte perene, da carne, desses espíritos que descarnam e se entrincheiram nas fúnebres alamedas dos cemitérios. Não, esta não, mas sim no da morte da alma, um passamento repleto de dores e melancolias nos abismos que se edificaram em mim.
Sim, foi o falecimento da minha desconstrução, o derradeiro ato dum atirador covarde que fugiu ao temer as emoções, essas que revivem intensas e com a mesma força dum sorriso que ofertamos ao primeiro amor.

Contudo, após desaguar-me  sorriste-me cintilante e tímida, pois sei;  este sorriso jamais foi teu, mas sim da galhardia guerreira que se queda ao inexorável fim.

Portanto meu amor, hoje não me houve forma outra se não  chorar-te a olho nu num compartilhar teares enredados pelas tristezas. E me foram lágrimas honestas apesar de retraídas, aliás, mais que retraídas; foram lágrimas envergonhadas que não se ocultaram para ti.

- “Quites” - Foi a resposta que me destes num murmúrio e numa feição tão desolada quanto a minha.

Depois disso sorriu, beijou-me as faces como beijaria as de um amigo próximo, e partiu para sempre.


Copirraiti Dez2010
Veio China ©

domingo, 26 de dezembro de 2010

Monólogo - À moda antiga -

Querida.

Queria dar-te todas as flores, todos os amores e as mais de mil rimas quais desdenham os insensíveis: “Poeta que rima flor com amor não se leva a sério, é um pavor” – Eles dizem ao sorrir zombeteiros - Portanto minha flor, exposto ao escárnio não espere de mim fartas palavras de cunho emocional. Poupe-me de conotá-las com o amor, pois seria o teu fim, o meu fim.

Além do mais preciso atualizar-me e ser o outro lado da moeda destes sujeitos descolados: Quem sabe um poeta visionário a levar-te em caudas de cometas e a fazer-te presente as estrelas, os sóis e as luas?
Ah sim! Pouco importaria que elas estejam em estado decrépito ou em fase minguante.

Evidente, elas são partes de um complexo quebra-cabeça num universo quântico habitado por poesia eclipsada e versos fosforescentes, preferencialmente em escalas de azul, cinza e lilás. Contudo, se é assim que me querem....assim me terão – Fantasioso -
Portanto meu amor não pense mais nisso e deixemos estas tolas bobagens de que trata o amor. Não falemos dos simbolismos e nem das flores.
Versemos, por exemplo, sobre os fenômenos que ocorrem no universo; parecem-me tão interessantes.

Veja, meu bem. Se faz importante sermos iguais a estes poetas e não perdermos as caudas dos cometas que nos levarão muito além dos pífios saberes e o parco de nossas sensibilidades. Contudo, lá chegando uma coisa eu prometo; longe das discriminações petulantes e da arrogância dos olhos que nos querem frios eu sorrirei ao mostrar-te o melhor dos meus truques; Do negro vazio de uma cartola farei surgir as mais lindas rosas vermelhas, e as te ofertarei; Flores para uma dama, como jamais deveria deixar de ser.

E então sorrirás e teus olhos cintilarão umedecidos. E eu, feliz como criança que ganha a primeira bicicleta espelhar-me-ei no motim das tuas lágrimas e te exalarei juntamente com o aroma do buquê de flores.

“Eu te amo minha flor! Serás para sempre o meu inesquecível e eterno amor” – Confessarei antes de quedar-me ao escárnio dos poetas e da poesia mor.

E esse aroma de sentimento inigualável, tragado e expelido por meus lábios num rápido sussurro se traduzirá em sentença de morte da minha fração poeta e de uma poesia tosca e desqualificada.


Copirraiti Dez2010
Véio China©

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Calendário

Cansei de olhar para estas paredes
Dolorosas e tão beges que entristecem os olhos
Cansei de tingi-las com fumaças acinzentadas
Expelidadas por meus cigarros assassinos
Cansei de te supor no jardim e ouvir tua voz
Voz que não era tua e sim de minha privação

Cansei! Simplesmente cansei

Cansei de olhar pela janela
E por entre os recortes dos vidros estilhaçados
Cansei de imaginar-te novamente em meus braços
Anestesiada de carícias e chamas que não se apagam
Cansei, nada havia senão porções de legítima saudade
Incrustada na doída melancolia dos meus fragmentos

Cansei. Cansei de presumir que era mera questão de tempo

Cansei do general entrincheirado em seus lamentos
Que não te arrebata e nem te faz faminta de nossas entranhas
Cansei da nostálgica herança deixada neste teu retrato esmaecido
Fadigado com as beges paredes e o fim dos dias em meu quarto
Cansei tanto que hoje te faço apenas um número que assinalo em Xis
Ponto de partida para uma data a ser esquecida em meu calendário


Copirraiti 2010Dez
Véio China©